13/01/2018

Programação completa Autismo & Vida no III FSM População Idosa 2018

O Instituto Autismo & Vida convida a todos para participarem das mesas de discussões, palestras e oficinas sobre o Autismo que acontecem nos dias 22, 24 e 25 de janeiro, dentro da programação do III Fórum Social Mundial da População Idosa 2018.

Todas as atividades são gratuitas, abertas ao público:

22 DE JANEIRO (SEGUNDA-FEIRA)

17h às 19h - Fases da vida: nem tudo é Autismo
Local: Prédio 81 da PUCRS - Parque Esportivo - (Av. Ipiranga, 6690 - Porto Alegre/RS)
Atividade focada nas mudanças que ocorrem em diferentes fases da vida, apresentando uma troca de ideias sobre questões comportamentais comuns para todos as pessoas e os entrecruzamentos com o Autismo.

19h às 21h - Vida Adulta com Autismo: Mercado de Trabalho
Local: Prédio 81 da PUCRS - Parque Esportivo - (Av. Ipiranga, 6690 - Porto Alegre/RS)
Mesa de discussão voltada para a vida adulta da pessoa com Autismo, abordando questões relacionadas à inclusão no mercado de trabalho.

24 DE JANEIRO (QUARTA-FEIRA)

9h às 11h - Autismo: Comunicação
Local: Prédio 81 da PUCRS - Parque Esportivo - (Av. Ipiranga, 6690 - Porto Alegre/RS)
A comunicação tem um papel central no desenvolvimento, aprendizagem e interação social, constituindo uma das áreas centrais da definição do Autismo. Esta atividade pretende explorar este tema em um diálogo com o público presente.


18h às 20h - Física Quântica e Autismo
Local: Prédio 81 da PUCRS - Parque Esportivo - (Av. Ipiranga, 6690 - Porto Alegre/RS)
A atividade aborda questões presentes no livro “O Universo Pulsa” (2017), em que o personagem principal Thomas, um menino com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), vive uma jornada pelo mundo enigmático da Física Quântica ao lado de sua mãe, Olívia.

25 DE JANEIRO (QUINTA-FEIRA)

17h às 19h - Autismo: Moradia Assistida
Local: Prédio 81 da PUCRS - Parque Esportivo - (Av. Ipiranga, 6690 - Porto Alegre/RS)
Esta atividade busca estimular o debate sobre a Moradia Assistida para pessoas com Autismo, tema que ainda carece de discussão e políticas públicas no país.

19h às 21h - Autismo: Expressão Corporal e Artística
Local: Prédio 81 da PUCRS - Parque Esportivo - (Av. Ipiranga, 6690 - Porto Alegre/RS)
Reunindo fontes de diversas áreas, esta atividade apresenta uma discussão sobre as diferentes formas de expressões corporal e artística que podem melhorar a qualidade de vida das pessoas com Autismo, assim como de qualquer outro indivíduo.

19h às 21h - O Universo Pulsa: a Física Quântica e os caminhos do Autismo
Local: Casa dos Conselhos (Av. João Pessoa, 1110 - Porto Alegre/RS)
A atividade aborda questões presentes no livro “O Universo Pulsa” (2017), em que o personagem principal Thomas, um menino com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), vive uma jornada pelo mundo enigmático da Física Quântica ao lado de sua mãe, Olívia.




O FSMPI é uma edição temática do Fórum Social Mundial, projeto de caráter mundial que este ano realiza-se em Salvador/BA, nos dias 13 e 17 de março. Veja a programação completa do 3º FSMPI neste link. Estes espaços abertos visam o debate democrático de ideias, a troca livre de experiências e o aprofundamento de reflexões, em um processo permanente de busca e construção de alternativas que “contrapõem-se a um processo de globalização comandado pelas grandes corporações multinacionais e pelos governos e instituições internacionais a serviço de seus interesses, com a cumplicidade de governos nacionais” (Fonte: www.wsf2018.org).

15/12/2017

Direitos da pessoa com TEA: educação, saúde, ensino profissionalizante, trabalho, mobilidade, Curatela e Tomada de Decisão Apoiada

Em nossa Reunião de Pais, Familiares e Colaboradores de dezembro de 2017, convidamos as advogadas com experiência em direitos da pessoa com deficiência (PcD) Bruna Katz e Raquel Tedesco. A palestra gratuita na AMRIGS (Av. Ipiranga, 5311 - Porto Alegre/RS) abordou algumas das principais dúvidas dos familiares relacionadas à saúde, educação, profissionalização, trabalho, mobilidade e à autonomia de seus/suas filhos/as com Autismo.

Use o sumário abaixo para navegar pelo post:

Educação
Profissionalização e Mercado de Trabalho
Mobilidade
Saúde
Curatela e Tomada de Decisão Apoiada

Foto: Paula Moizes

Educação

Em vigência desde janeiro de 2016, o Estatuto da PcD reafirma garantias de acesso à educação previstas desde a Constituição Federal de 1988. Também conhecido por Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), o Estatuto assegura a matrícula da pessoa com Autismo em qualquer escola pública ou privada, assim como institui que este indivíduo deverá receber, sem custo adicional, Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contra turno escolar. Segundo o Estatuto da PcD é crime punível com multa e reclusão de dois a cinco anos "recusar, cobrar valores adicionais, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, em razão da sua deficiência".

Para saber mais sobre o AEE oferecido às pessoas com Autismo nas escolas, veja o resumo da palestra gratuita com a professora, pedagoga e Mestre em Educação Ana Rosimeri Araujo da Cunha.

Apesar do acesso ao ensino estar garantido por lei à pessoa com Autismo desde 1988, grande parte das instituições públicas e privadas conservam obstáculos que as impedem de estarem preparadas para atender as necessidades específicas de seus alunos e alunas. A diferença é algo inerente à condição humana, de modo que nenhum indivíduo é igual ao outro e, portanto, nenhuma turma é homogênea. No caminho de uma Educação Inclusiva, há escolas que ainda recusam matrícula para pessoas com Autismo. A justificativa, muitas vezes, é o despreparo quando, por outro lado, as instituições de ensino poderiam se beneficiar da experiência da família e de profissionais de outras áreas para construírem juntos uma escola inclusiva para todos e que dissemine valores como respeito e empatia ao outro.

Para mais informações sobre o tema Inclusão Escolar e a legislação vigente, assista à palestra também gratuita ministrada por nossa sócia-voluntária e Doutora em Informática na Educação, Tecnologia Assistiva, Comunicação Aumentativa e Alternativa Renata Costa de Sá Bonotto.

Durante a fala das advogadas na AMRIGS, foram levantadas pelo público questões referentes ao acesso no ensino superior. No âmbito federal, temos o Programa de Acessibilidade na Educação Superior (Incluir), cujo principal objetivo é "fomentar a criação e a consolidação de núcleos de acessibilidade nas instituições federais de ensino superior" (fonte: portal do Ministério da Educação). A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por exemplo, possui um Núcleo de Inclusão e Acessibilidade que produz materiais didáticos em Braille, áudio, ampliado e táteis; promove acesso à Tecnologia Assistiva, assim como à tradução e interpretação de Libras, entre outros serviços oferecidos para atividades da universidade.

A Lei 13.409/2016 estabeleceu que as pessoas com deficiência também estão incluídas no programa de cotas das instituições federais de ensino superior e/ou técnico (Lei 12.711/2012). Assim, as pessoas com Autismo que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas estão incluídas na reserva de, no mínimo, 50% das vagas da graduação.

Profissionalização e Mercado de Trabalho | Mobilidade | Saúde | Curatela

Raquel Tedesco tratou sobre a inclusão escolar. Foto: Paula Moizes

Profissionalização e mercado de trabalho

O pioneirismo do Rio Grande do Sul no ensino profissionalizante de pessoas com TEA foi destacado pelas palestrantes: em 2012, foi promovido um Curso de Aprendizagem para Pessoas com Autismo pelo Senac-RS em parceria como o Ministério Público do Trabalho e a Superintendência do Trabalho e Emprego no RS. Atualmente é o Programa Jovem Aprendiz (Senac-RS) que por meio dos Cursos de Aprendizagem desenvolve capacitações para a PcD. Em Porto Alegre, a unidade Senac Comunidade (Rua Coronel Genuíno, 39 - Centro Histórico) é reconhecida por oferecer cursos profissionalizantes para PcD. Para participar é necessário ter mais de 14 anos e laudo médico.

Em relação à oferta de emprego, as palestrantes Katz e Tedesco destacaram o Estatuto da PcD e a Lei nº. 12.764/12 (Lei Berenice Piana, ou Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista) que regulamentam a inclusão, a permanência e não discriminação da pessoa com Autismo no ensino profissionalizante e no mercado de trabalho. Logo, por lei, a empresa que abrir vagas para PcD deverá fomentar um ambiente profissional acessível e inclusivo, com condições justas de trabalho para a PcD e equidade de oportunidades com os demais. Isso significa que a empresa deverá oferecer o apoio necessário para que a PcD possa desenvolver o trabalho de acordo com seu perfil vocacional.

A contratação de PcD por empresas com 100 ou mais funcionários está regulamentada pela Lei nº 8.213/91. Conforme esta, as empresas são obrigadas a preencherem de 2 a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou PcD. Mesmo assim, as advogadas ressaltaram que muitas empresas ainda estão despreparadas para incluir a PcD em seu ambiente de trabalho. Para reverter esta situação, existem consultorias e Organizações da Sociedade Civil que prestam serviços de orientação às empresas. Algumas delas estão reunidas na aba "Emprego para PcD" do nosso site, como lembraram Katz e Tedesco na palesta. Além disso, a Organização Internacional do Trablho (OIT) tem disponível uma série de diretrizes sobre o assunto, como esta publicação que trata da gestão de questões relativas à PcD no local de trabalho.

Educação | Mobilidade | Saúde | Curatela

Bruna Katz debateu com o público o acesso ao mercado de trabalho. Foto: Paula Moizes


Mobilidade

Algumas questões ligadas à mobilidade urbana das pessoas com Autismo foram debatidas durante a palestra, como o direito às vagas de estacionamento para PcD, isenção de impostos na compra de veículo novo, Passe Livre no transporte público e desconto/isenção na passagem área para acompanhante de PcD.

O Cartão DeFis para vagas de estacionamento é o documento de porte obrigatório para identificação de um veículo que quiser utilizar uma vaga preferencial e estiver sendo utilizado por ou para o transporte de uma PcD. A validade do Cartão DeFis varia de município para município, mas assim que feito ele pode ser usado em todo o território nacional. O site da FADERS Acessibilidade e Inclusão indica os locais onde solicitar o Cartão DeFis no Rio Grande do Sul.

Se no caso do Passe Livre para PcD a renda familiar importa, não existe uma renda familiar máxima para ter o direito do desconto na passagem área de, no mínimo, 80% para o acompanhante da pessoa com Autismo - em caso de exigência do mesmo. Para conseguir o desconto/isenção, antes de comprar as passagens, Katz e Tedesco indicaram ligar para a companhia área, que deverá encaminhar à família um link com o formulário conhecido como MEDIF. Cada empresa área tem o seu MEDIF, por isso consulte a companhia do voo que você deseja antes de comprar a passagem. Assim que o MEDIF estiver preenchido, envie-o para o e-mail indicado pela empresa e ligue novamente informando sobre o envio do mesmo e solicitando as próximas orientações para adquirir seu direito. Caso o desconto/isenção não seja cedido, as palestrantes sugeriram fazer uma denúncia à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que têm multado e garantido este direito às famílias da PcD, segundo elas.

Muitas dúvidas surgiram quanto à isenção de IPI (imposto federal), ICMS e IPVA (impostos estaduais) para compra de veículos novos de fabricação nacional e de valor até R$ 70 mil (de acordo com a legislação atual). Este veículo deverá ser registrado em nome da pessoa com deficiência e poderá ser conduzido por três pessoas autorizadas (mesmo que nenhuma delas seja a PcD). A isenção é concedida para proporcionar uma melhor mobilidade da pessoa com Autismo. Antes de ir à concessionária de carros, as advogadas Bruna Katz e Raquel Tedesco aconselharem ter em mãos o laudo médico da pessoa com Autismo assinado por um Neurologista e um Psicólogo credenciados no Sistema Único de Saúde (SUS). Consulte a sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para obter informações sobre os médicos credenciados. Para saber qual a sua UBS, consulte o site da Secretaria de Saúde do seu município. As UBS de Porto Alegre estão neste link.

Há outros documentos necessários à concessionária para obter o direito às isenções. Todos eles podem ser conferidos e baixados nos sites da Receita Federal (isenção de IPI) e das Receitas Estaduais (isenção de ICMS e IPVA). A isenção de IPVA pode ser solicitada para carros usados que estejam registrados em nome da PcD. As palestrantes orientaram que, em caso de transferência de posse do automóvel para a PcD, é possível fazê-la por meio de uma Escritura Pública de Doação, por exemplo, que é feita e assinada em um Tabelionato de Notas (cartório) sem a necessidade de um(a) advogado(a). O próprio familiar pode se informar e fazer os encaminhamentos. Mesmo assim, Katz e Tedesco lembraram que sempre é possível solicitar aconselhamento jurídico. Para famílias em situação de vulnerabilidade (econômica, social, cultural, etc.), a Defensoria Pública está disponível para atender sem custos à população.

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Em nossas reuniões contamos com uma voluntária, a Psicóloga Luiza Mattos, para que os familiares que não tem com quem deixar seus filhos possam assistir às palestras com mais tranquilidade. Foto: Paula Moizes 

Saúde

As negociações com os planos de saúde geraram diversas perguntas entre os familiares presentes. De acordo com o próprio Superior Tribunal de Justiça, as negativas de tratamentos e restrições contratuais dos planos de saúde são abusivas. Uma das principais justificativas utilizadas pelos planos é que as terapias para pessoas com Autismo não estão previstas no contrato ou no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Conforme as advogadas Bruna Katz e Raquel Tedesco, a Justiça tem julgado a favor das famílias nestes casos, por entender que é o(a) médico(a) quem deve indicar as terapias/tratamentos que deverão ser cobertos pelo plano de saúde.

Os planos de saúde também podem tentar limitar as sessões de cada terapia, o que também pode ser levado ao judiciário, visto que um tratamento incompleto poderá não ser tão eficiente como deveria. Se não houver um profissional de determinado tratamento que atenda pelo plano de saúde, este deverá oferecer à pessoa com Autismo um profissional fora da rede do plano, de acordo com as palestrantes. Para terapias e tratamentos alternativos, como o uso de medicamentos não aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o requerente deverá reunir literatura médica sobre o assunto para fundamentar o processo.

O tempo que esses processos podem ficar em tramitação depende muito do cartório e/ou do(a) Juíz(a) que irá conduzir o caso, como ressaltaram as profissionais do Direito. Nesses casos, as famílias devem procurar um(a) advogado(a) ou a Defensoria Pública do Estado, que está disponível para atender sem custos à população em vulnerabilidade econômica, social, cultural, etc. Para iniciar qualquer um desses processos, as palestrantes também indicaram ter em mãos o laudo médico da pessoa com Autismo assinado por um Neurologista e um Psicólogo credenciados no Sistema Único de Saúde (SUS). Consulte a sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para obter orientações sobre como obter este laudo.

Os atendimentos gratuitos para pessoas com Autismo são ainda mais restritos. Há os Centros de Atenção Psicossocial (CAPSIs), assim com os centros dentro das APAEs. O acesso a ambos é pela rede básica de saúde. Assim, o atendimento deverá ser solicitado na UBS da sua referência. Em relação às APAEs, as advogadas debateram com o público a dificuldade de se encontrar vagas nestes centros, muitas vezes, visto que as vagas são priorizadas às famílias vinculadas às APAEs. Diante disso, as palestrantes destacaram um caso no interior do Rio Grande do Sul em que o Juiz obrigou o Estado a arcar com os custos de uma equoterapia fora da APAE do município em questão, por compreender a restrição que essas instituições têm em seu acesso.

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Raquel Tedesco e Bruna Katz. Foto: Paula Moizes

Curatela e Tomada de Decisão Apoiada

As convidadas relataram que consideram um avanço na garantia da liberdade do indivíduo com Autismo a legislação relativa à Curatela e à Tomada de Decisão Apoiada instituída pelo Estatuto da PcD. Esta lei de 2015 altera o texto do Código Civil (2012) que diz respeito à Interdição de pessoas com deficiência intelectual, uma vez que a Lei Brasileira de Inclusão não reconhece a incapacidade absoluta da PcD. Pelo contrário, o texto atual considera que a deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa. A deficiência pode reduzir a capacidade de discernimento da pessoa e, logo, ela precisará de auxílio maior para exercer certos atos da vida civil. No caso da Curatela, caberá ao Juiz e a uma equipe interdisciplinar determinar quais são esses atos civis que poderá exercer a pessoa com Autismo, que deverá ser ouvida durante todo esse processo.

A Tomada de Decisão Apoiada, como citaram as palestrantes, é um processo que pode ser aberto pela própria PcD junto a um(a) advogado(a) ou na Defensoria Pública do Estado. Neste caso, são eleitos dois apoiadores para atos da vida civil. A Curatela também poderá ser compartilhada. A nova legislação busca, assim, promover a autonomia da PcD e, consequentemente, de sua família.

Em qualquer momento, tanto a Interdição, quanto a Curatela e a Tomada de Decisão Apoiada podem ser revogadas e/ou revistas pela PcD e sua família. As advogadas comentam que ainda há pouca jurisprudência relacionada ao assunto no Rio Grande do Sul. Katz ainda indicou que as famílias busquem a Curatela total ou parcial, dependendo do caso, de seus/suas filhos/as com Autismo quando estes/as completarem 18 anos, considerando as obrigações legais como votar e prestar serviço no Exército (obrigatoriedade somente para os homens). Se a PcD demonstrar interesse e consciência para exercer certos atos, o processo poderá ser revisto.

Katz e Tedesco reforçaram que cada caso é um caso e nem sempre a Curatela total é necessária. Por exemplo, há pessoas com TEA que não sabem lidar com questões patrimoniais, porém tem completa noção da situação política do Brasil, e vice-versa.

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A equipe de sócio-voluntários do Autismo & Vida com as palestrantes convidadas. Foto: Paula Moizes

O Autismo & Vida é uma Associação sem fins econômicos e um dos nossos princípios institucionais é o pluralismo de ideias e pensamentos, o que nos coloca abertos a diversidade de conteúdos em nossas palestras realizadas por diferentes profissionais. No entanto, o que for proferido em cada evento é de inteira responsabilidade do palestrante e não necessariamente retrata o posicionamento do IA&V.

Para saber mais sobre outras leis que abrangem as pessoas com Autismo, consulte a aba "Legislação" do nosso site. As nossas Reuniões de Pais, Familiares e Colaboradores na AMRIGS retornam em março de 2018, acompanhe a atualização das datas neste link.

22/11/2017

Reunião de Pais, Familiares e Colaboradores | 09/12/2017 | Direitos da Pessoa com Autismo

No sábado do dia 09 de dezembro, às 14h, acontece nossa Reunião de Pais, Familiares e Colaboradores com as convidadas Bruna Katz e Raquel Tedesco e a temática "Direitos da Pessoa com Autismo". As palestrantes são advogadas especializadas em Direitos da Pessoa com Deficiência e irão realizar um bate-papo jurídico com o intuito de facilitar a compreensão das principais leis a respeito dos direitos das pessoas com Autismo, possibilitando que sejam exercitados no cotidiano.

Utilizando uma linguagem simples e acessível a todos, serão abordadas questões relativas aos seguintes direitos: saúde e medicamentos, atendimento prioritário, inclusão escolar, educação profissionalizante e inserção no mercado de trabalho, planos de saúde, isenção de impostos para aquisição de veículos, transporte gratuito e vaga especial de estacionamento e benefícios assistenciais.

Bruna Katz
Bruna Katz é Bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e pós-graduanda em Processo Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS). Sócia-fundadora de seu próprio escritório de advocacia, onde atua na área cível, com ênfase nas matérias relacionadas ao Direito de Família e aos Direitos da Pessoa com Deficiência. Possui experiência em assessoria jurídica, tendo trabalhado por 10 anos no Poder Judiciário do Rio Grande do Sul.

Raquel Tedesco


Raquel Tedesco possui graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Tem escritório próprio em Porto Alegre e experiência em áreas como Direito de Família, Direito da Criança e Adolescente, Direito Civil, Direito Trabalhista, entre outros.

O evento é gratuito e não precisa de inscrição prévia: basta chegar e participar! O Autismo & Vida é uma Associação sem fins econômicos e um dos nossos princípios institucionais é o pluralismo de ideias e pensamentos, o que nos coloca abertos a diversidade de conteúdos em nossas palestras realizadas por diferentes profissionais. No entanto, o que for proferido em cada evento é de inteira responsabilidade do palestrante e não necessariamente retrata o posicionamento do IA&V.

Palestra gratuita "Direitos da Pessoa com Autismo"
Data: 09 de dezembro de 2017, das 14h às 17h
Local: AMRIGS - Avenida Ipiranga, 5311, Porto Alegre (RS)

19/11/2017

Depois do diagnóstico: intervenções e a contribuição da família

Sob o tema "Transtorno do Espectro Autista depois do diagnóstico: manejo e intervenção", foi realizada a palestra com Dr. Ricardo Halpern, Pediatra do Desenvolvimento, no dia 11 de novembro de 2017, na AMRIGS (Porto Alegre/RS). O profissional convidado desta edição da Reunião de Pais, Familiares e Colaboradores do Autismo & Vida tem vasta experiência em Transtornos do Neurodesenvolvimento e Pós-Doutorado em Pediatra do Desenvolvimento pelo Center for Development and Learning da Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill (UNC-CH), no Estados Unidos.
Foto: Paula Moizes

Diante de uma situação inesperada como a notícia do diagnóstico é comum que a família da pessoa com Autismo passe por um processo de aceitação. A intensidade e o tempo das fases desse processo - negação, raiva, negociação, depressão e aceitação - vai depender de cada família. Neste momento, o acolhimento e apoio de famílias que já passaram pela mesma experiência deverá ser reconfortante para quem acabou de receber o diagnóstico do(a) filho(a).

Um dos principais pontos levantados por Halpern é o compromisso da família da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) com as intervenções que estão sendo oferecidas para o indivíduo em questão. O palestrante ressalta que o envolvimento da família nas intervenções traz resultados melhores, mesmo que esses sejam sutis. Acompanhando de maneira ativa o desenvolvimento da pessoa com Autismo, a família poderá não só identificar as necessidades do(a) filho(a), como também poderá perceber e comemorar as mudanças positivas - que mesmo que sejam pequenas são muito significativas toda vez que acontecem.

Dr. Ricardo Halpern. Foto: Paula Moizes
Quanto à(s) intervenção(ões), o palestrante destaca que é preciso identificar o que realmente está afetando de forma limitadora a vida da pessoa com Autismo. A família, que convive diariamente com a pessoa, poderá desenvolver junto aos profissionais um "perfil de apoio necessário", ou seja, uma intervenção personalizada para as necessidades específicas da pessoa com TEA em questão. Nesse sentido, Halpern também pontua a necessidade de um trabalho em equipe: família, profissionais da Saúde e da Educação. Para que isso ocorra, todos devem aprender 1) a trabalhar em grupo e, consequentemente, 2) a se colocar no lugar do outro. O retorno sobre o que está sendo desenvolvido com a pessoa com Autismo é apenas um, dado à família após cada reunião multiprofissional (médico, Terapeuta Ocupacional, professores, etc.).

Halpern lembra ainda que diferentes fases da vida exigem necessidades e intervenções diferentes. Além disso, em fases distintas da vida a pessoa com Autismo pode melhorar em alguns pontos, mas piorar em outros, e vice-versa.

Ricardo Halpern também é Professor-associado de Pediatria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Atua como Presidente do Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira e Pediatria (SBP). Chefe do Serviço de Pediatria e do Serviço do Desenvolvimento do Hospital da Criança Santo Antônio (Porto Alegre).

O Autismo & Vida é uma Associação sem fins econômicos e um dos nossos princípios institucionais é o pluralismo de ideias e pensamentos, o que nos coloca abertos a diversidade de conteúdos em nossas palestras realizadas por diferentes profissionais. No entanto, o que for proferido em cada evento é de inteira responsabilidade do palestrante e não necessariamente retrata o posicionamento do IA&V.

Acompanhe as datas das próximas palestras gratuitas na AMRIGS neste link.

Reunião de Pais, Familiares e Colaboradores de novembro de 2017. Foto: Paula Moizes